Três cursos de graduação do Instituto de Química (IQ) da Unesp, em Araraquara, receberam o reconhecimento da American Chemical Society, uma das principais organizações científicas de Química no mundo. A distinção, concedida pelo Programa de Reconhecimento Global da ACS, contempla os cursos de Bacharelado em Química, Bacharelado em Química Tecnológica e Licenciatura em Química. Atualmente, apenas 12 programas de graduação são reconhecidos em diferentes países.
Fundada em 1876, nos Estados Unidos, a American Chemical Society reúne cientistas, educadores e profissionais da Química, em prol da ciência e da inovação. O programa de reconhecimento estabelece parâmetros de avaliação semelhantes aos realizados, no Brasil, pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e pelo Ministério da Educação. Entre os critérios são observados tópicos como infraestrutura, currículo, corpo docente, entre outras competências dos cursos de Química.
O processo de aplicação ao programa foi liderado pela professora Cintia Milagre, do IQ. Em junho de 2025, quando a docente participou de uma mesa-redonda no Beyond Benign-Person Summit 2025, em Pittsburgh, nos Estados Unidos, ela conheceu o ACS Global Recognition Program e teve contato com as etapas necessárias para que uma instituição pudesse participar da iniciativa. De volta ao Brasil, Cintia apresentou a proposta à direção do Instituto e às coordenações dos cursos, que aprovaram a candidatura.
Com isso, a professora enviou à ACS documentos e informações detalhadas sobre o organograma institucional, corpo docente, infraestrutura, instrumentação, currículo, pesquisa, habilidades desenvolvidas pelos estudantes e como funciona o processo de avaliação dos mesmos. Também foi solicitada a relação das disciplinas laboratoriais obrigatórias e dos experimentos realizados em cada uma delas.

Segundo Cintia, o levantamento e a organização das informações foram realizados coletivamente, reunindo docentes e servidores administrativos do IQ. “Nós precisávamos saber, por exemplo, quantos professores e funcionários o IQ tem, qual o gênero e raça deles, a carga horária dos docentes. Compilamos tudo, inclusive provas aplicadas aos alunos, foi uma espécie de dossiê”, conta.
A APROVAÇÃO
O levantamento das informações demandou meses de trabalho e foi finalizado em julho de 2026. A etapa seguinte foi uma reunião com a comissão avaliadora, destinada à discussão de alguns pontos da documentação. Além de Cintia, participou do encontro o professor Ian Castro Gamboa, vice-diretor do IQ. “Esclarecemos as dúvidas, tivemos que fazer algumas correções e, depois de duas semanas, recebemos a carta dizendo que tínhamos sido aceitos”, relembra Cintia.
A confirmação oficial do reconhecimento chegou ao Instituto em 1º de setembro de 2026. Na carta os avaliadores destacaram aspectos como a abrangência do quadro docente, o conjunto de instrumentos e equipamentos disponíveis e a estrutura curricular dos cursos de graduação do IQ. “Eles ficaram impressionados com a nossa infraestrutura, com a quantidade de professores e servidores técnicos. A gente atendeu com folga os critérios de avaliação”, afirma Cintia.